Fui para o Nordeste duas vezes esse mês. Me encanta a cultura daquele povo. Entre muitas coisa, amo os CORDÉIS... Resolvi escrever um... e claro.. ficou uma bosta... Mas ta aí.
O FILHO DE ZINHO E PEQUENA
Andava pela rua
Noite já era,
A vida era toda sua
O amor o espera
Olhava alegremente
As moças ao redor
Foi quando de repente
Se aproximou da menor
Tipo minhonzinho
Era morena
Olá, me chamo Zinho
Oi, eu sou Pequena
Pequena na aparência
Gigante na cama
O tesão lhe deu ardência
Era a mulher que ama
Pequena foi boa mãe
Zinho foi bom pai
Porém o azar da sorte
A pobre Zinho lhe cai
Seu filho era maldito
Tinha o diabo no corpo
Nem Santo Expedito
Tirava aquilo do tosco
Porém a sorte sorriu
O Diabo gente fina era
Dinheiro lhes deu mais de mil
E a fome saiu da espera
O Diabo entrou pra família
Fazendo estragos pequenos
As vezes queimava a braguilha
Mijando pequenos venenos
Vendo tv, as vezes soltava pum
De seu rabo saia fogo
Sofá, queimou mais um
Na escola o Diabo
Sentava no fundão
No recreio comia quiabo
E suco de mamão
Zinho e Pequena
Com seu filho chifrudo
Não tinham problema
O amavam mais que o mundo
O amor sempre vale a pena
Amar o próximo como a ti mesmo
Foi o que ele falou
Mesmo que o Diabo esteja mais perto
Ame a ela que te amou.
terça-feira, 3 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
VÓ CREUSA
Sozinho?
Sim.
E agora?
Você e o papel digital. Você faz um papel digital.
Sim.
Onde ela está?
No meu... ela está em outra cidade.
Mas ela te rodeia não?
Sim, pensamentos, fotos na parede, mensagens. Ela e minha família. São as partes boas. Mas também tem os fantasmas.
Sozinho?
Pois é... Nem tanto pelo jeito. Eu e você, você digital.
Felicidade, tristeza...
Sei lá... Outro dia chorei vendo o jornal. Um homem estuprou a filha de nove meses. Juro, essa foi a notícia. Preciso dizer mais alguma coisa? Quer dizer... Não imaginei que alguém seria capaz de fazer isso, entende? O tanto que o homem consegue ser sublime e poético, ele consegue ser grotesco e filho da puta.
Por que ta falando dessa merda? Que coisa bizarra.
Não sei... Foi um tapa na minha cara essa notícia... Fiquei com medo da vida. Esqueci o quanto a vida podia ser cruel, sabe? Eu nunca vejo jornal... Não estava acostumado com essas atrocidades... E é incrível como a maioria dos jornais só passa esse lado nosso. O que tanto atrai as pessoas? Talvez o susto nos una, nos controle... sei lá... mil questões em cima disso.
Que bosta.
Mas por outro lado....
O quê?
Uma senhora....
“Uma senhora?”
Sim. Uma senhora, no aeroporto de Recife. Falou comigo. Ela era balconista de um loja de artesanato. Fiquei louco com a loja. Muitas coisas legais. Comprei uma peça linda, um boneca de uma mulher de vestido verde, loira, tocando uma sanfona rosa, muito bonito. Quando levei o caixa a dona Creusa pegou a peça e sorriu. Creusa é uma senhora bem magrinha e enrugada, pele queimada de anos e anos de sol, ela é meio bege e cinza, usa um casaquinho leve de lã e uma touca trançada prendendo os poucos cabelos. Ela tinha o sorriso no olhar. Quando entreguei a peça a ela, parece que ficou emocionada. Parece não, ficou mesmo. O brilho no olhar virou um farol.
- Essa peça é muito bonita. Admiro você meu neto.
- Puxa, hehe. Obrigado.
- É... eu admiro pessoas de bom gosto. Peça especial, eu vou embalar ela direitinho.
- Obrigado, é linda mesmo.
- Você é de São Paulo?
- Sim. Estava em Caruaru, fui fazer um show lá.
- Caruaru? Minha terra.
- Ah é? Que legal. Adorei lá.
- Comeu Sarapatel meu neto?
- Comi sim.... vó!
- Comi sim.... vó!
- E gostou?
- Aí já é outra história!
Ela ri alto.
- Eu adoro Sarapatel.
- Eu to brincando, eu gostei muito. Adorei sua cidade.
Ela sorri ainda com mais alegria no olhar, se emociona.
- Tem que tomar cuidado. Dora, traz mais plástico bolha. Olha que bonita que é. Na hora de levar ela no avião, cuidado, ta bom meu neto?
- Ta bom, vou cuidar sim.
- Tem assassinos.
- Assassinos.
- Sim, verdadeiros assassinos, jogam a mala em cima e.... Ai meu Deus.
-
Suas mãos carregavam cuidado e experiência, enrolava a boneca de papel machê como quem trocasse as fraldas de um bebê de nove meses. Linda e cuidadosa. Ela me entrega o embrulho com carinho, eu sorrio, me estico pelo balcão e dou um beijo na sua bochecha enrugada e linda.
- Vou te contar um segredo meu neto...
- Aé?
- É... eu bem, eu sinto as coisas.
- Hum...
Me aproximo do balcão. Ela se aproxima do meu ouvido.
- Você não vai sofrer na vida.
Fui embora me sentido verdadeiramente sortudo e iluminado.
NOVO EPISÓDIO H. FILMES COMICOZINHO
Convidados especiais, Jacaré Banguela e os malucos do Galo Frito!
Veja outros vídeos aqui ó: COMICOZINHO
quinta-feira, 29 de março de 2012
CLASSES SOCIAIS e AMIGA GORDA
Esse lance de classes sociais serem dividias em A B C ta errado... É um eufemismo pra aliviar a realidade. É mais bonito falar A B C D E, do que falar: podre de rico, rico pra caralho, gente com limite de cartão de credito, gente sem cartão de credito e Corinthianos.
Eu entenderia se fosse classe A de Abonado, B de Bem na foto, C de Caloteiro, Devedores e Ex presidiários, Fudidos, Garotos de programa... Até chegar nos Zuadinhos!
Se temos a classe A e depois B C D E... Quer dizer.. É uma visão pessimista pra cacete. Se a classe E é a classe de pobreza e fome estrema... Qual é a classe Y? Qual é a classe Z? A Z é a classe da zona...? A classe Z não tem comida, não tem casa, não tem escola, tem câncer, AIDS, lepra, é a classe
do Smegol.
Eu acho que a classe A deveria se transformar na classe U. E a classe E na Z. Assim agente teria noção de que pobreza tem limite! Chega de ficar pobre! Parem! A pobreza só pode vim até aqui; baile funk, churrasco grego e igreja evangélica! Só!
E por outro lado a riqueza não teria limite. A gente só pode ficar mais rico! Do U até o A. Os ricos são classe U e a classe A são os poucos caras trilhonários! Que fizeram fortuna com idéias extremamente inteligentes, como o Facebook ou ficaram ricos com idéias extremamente burras, como o cutucar do Facebook. Porque a função cutucar no facebook??? Quer dizer o quê? A gente não faz isso na vida… No Face a gente faz tudo que faz na vida, conversa, mostra fotos, compartilha e convida para eventos, a única coisa que a gente não faz é Cutucar. A gente não chega pra uma pessoa (cutuca) e vai embora!
Tem uma amiga que adora me cutucar. Ela é gordinha. E quando você olha pra ela, percebe que o mundo é injusto. Quer maior injustiça do que gordinhas sem teta? Sacanagem, tudo engorda, mesmo a teta.
E ela tem um namorado gordinho também, eles são cheios das causas sociais, protestam contra desmatamento, guerra, fome... Eu não acho justo protestarem contra a fome. Porra, só no almoço de domingo, na mesa deles tem comida suficiente
pra alimentar a Etiópia! Se liga...
Enfim... era isso que eu queria falar. Boa semana!
segunda-feira, 5 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
TENDA DO XAMÃ: A Águia e o Falcão - Lenda Sioux
TENDA DO XAMÃ: A Águia e o Falcão - Lenda Sioux: Conta uma lenda dos indios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, um jovem guerreiro, e Nuvem Azul, a filha do cacique, chegaram de mãos dadas, at...
RESTAURANTE INDIANO
O ambiente: um restaurante Indiano, beeem Indiano.
Música de fundo:
- Cara, você vai adorar a comida.
- Bem, eu já gostei da garçonete. Mas aqui não se pode comer carne, né?
- Seu idiota. Você pode pedir metade ou prato inteiro. Olha só, aqui tem só duas opções no cardápio.
- Me lembra aquela piada do Bruno Motta. As opções são “sim e não”?
- Olha aí, na opções 1 tem arroz integral com brócolis, Dahl de ervilha com legumes e gengibre...
- Pera aê.. Tem o quê? Dahl? Tipo Dahl Sim? Do Street Figthers?
- Isso, chama Dalh!
- O quê é Dalh? É feito por um cozinheiro com síndrome de Dahl?
- Para de falar merda. É tipo um caldo.
- Tá, e o que é gengibre?
- Gengibre é uma raiz. Faz muito bem. Dizem que os indianos vivem mais por que comem gengibre.
- Jura? Mesmo com síndrome de Dahl?
- Você ta querendo me irritar, né?
- Foi mal.. parei.
- Ah... enfim. Escolhe aí, um ou dois. Eu vou querer metade do dois.
- Então vai querer o um?
- Você é surdo?
- Você é burro?
- Como assim?
- Porra, metade do dois é um, mané! Hahaha!
Os dois estão sentados em pequenas cadeiras de madeira. A maioria das pessoas pensa que são cadeiras da mesinha das crianças nos almoços de família. Na mesa, a garçonete traz os talheres e anota os pedidos. Os talheres são mais pesados do que o normal. Todos tem detalhes no cabo, pequenos ramos retorcidos com flores desenhados no metal prateado. Garfo, faca e duas colheres. Estão cercados de solitários. De um lado da dupla uma mulher magra, cabelo preto preso, com roupa de executiva, ela come lentamente e tem um olhar solto pelo espaço cercado de quadros com fotos de gente azul beijando vacas ou elefantes beijando vacas, ou mesmo vacas beijando vacas. Ao lado da executiva uma mulher gorda e mais velha, ela tem uma blusa florida rosa e uma saia bege, ao lado de seus sapatinhos pretos e apertados uma sacola abrigando uma planta que se estica pra fora. Atrás há um jovem loiro bonito e forte que come um livro e lê o prato um prato. Do outro lado um homem magro, de óculos e camisa social com finas listras vermelhas, amarelas e pretas. Está devorando a comida. Chamou a garçonete gostosa duas vezes para pedir mais comida, as mesma porções do que ele gostou mais, ele sem dúvida é gay por causa do jeito de falar.
- Reparou que todo mundo aqui é meio silencioso?
- Por que você não segue a moda do lugar?
- Eu acho bizarro. Até você, no momento que entrou aqui mudou seu jeito de falar, de andar.
- Eu? Não.
- Você sabe que sim. Você ficou puto por que vim com camisa do Corinthians. A primeira coisa que você olhou quando cheguei foi a camisa. Como se Corinthiano não pudesse ser Budista.
- Você conhece algum?
- Não. Falou sério quanto ao lance de gengibre?
- Sim. Ouvi dizer que faz muito bem, você vive mais comendo gengibre.
- Então vou começar a ritualizar o gengibre, sabe?
- Ritualizar?
- É, assim, vai ser sagrado, vou comer uma lasca de gengibre todos os dias, depois de fumar meu cigarro. Assim, consumo um que mata e um que dá vida. Fico no zero a zero!
- Por mais idiota que você seja, isso faz um pouco se sentido... Mas bem pouco.
- Fala normalmente comigo.
- To falando.
- Você mudou seu tom, e o volume da voz.
- As pessoas não precisam ouvir nossa conversa. Só a gente ta falando.
- Não me interessa se elas vão ouvir. Que culpa eu tenho de ter um amigo que me chama pra comer em um restaurante cheio de gente encalhada?
- Fala baixo....
- É sério. Em pleno sábado. Pessoas em um restaurante indiano comendo sozinhas? Esse é o tipo de lugar pra trazer uma mina e fazer um charme. Dar um de descolado intelectual que não come carne e beija as vacas. E esses quadros em? Será que eles tem um calendário com vacas em poses sensuais também?
A garçonete gostosa traz a comida, bebida e sobremesa. Os dois pratos são de metal, redondos, com pequenas ondulações, como se um gigante forte tivesse amassado a borda dos pratos com seus dedos. O copo com suco de gengibre e ervas também é de metal, assim como o pratinho de sobremesa. Umas espécie de tortinha branca light com caldo de amora.
- Eu falei que você ia gostar!
- Eu amei! Muito bom! Pena que não enche o bucho.
- Você não ta satisfeito.
- Não. To sentindo um vazio.
- Isso é por que você sempre como carne. Carne pesa. Você acha que esse peso é a sensação de satisfação. Mas é só peso. Você comeu bem.
- Pode ser... É meio sacanagem vim num restaurante vegetariano com um monte de imagem de vaca na parede.
- Por quê?
- É como ir na igreja e ver na parede um monte de capa de Playboy. Estimulo certo, no lugar errado.
- Vamo embora! Semana que vem a gente come no Mc Donald’s ok? Lá você pode comer um monte de vaca olhando o idiota do mês na parede.
- Não fala assim. O cara que trabalha no Mc tem tanta dignidade quanto o cara que trabalha aqui. Ta bom, talvez não tanta dignidade. Mas ele ta trabalhando e merece respeito.
- Vamo embora, vamo.
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